Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Medo da gripe.

Uma escola em minha cidade antecipou as férias por causa de um caso de gripe suína.Agora, acabo de ler no site da prefeitura que as férias da rede municipal também foram antecipadas e o projeto realizado por eles durante as férias suspenso.
Essa coisa toda de gripe tem me preocupado.Pelo menos 80% das pessoas que eu conheço está gripada ou saindo de uma gripe(inclusive eu);e aí eu me pergunto se isso é apenas uma gripe comum.Ter que confiar em um médico é muito complicado.Ao que parece,a epidemia de gripe está muito mais complicada do que está sendo veiculado.Não acredito que o controle esteja sendo tão eficiente quanto parece. Com um pouco de sorte(e muita competência) seremos os primeiros a isolar o vírus.Mas isso continua me preocupando como cidadã.
Se isso chegar mais próximo do que foi a gripe espanhola, como vão ficar os verdadeiramente pobres? Como ficaram durante a epidemia de varíola na administração de Pereira Passos,sem informação nenhuma e sem direito de escolha entre vacinar-se e não.Há lugares aqui no estado do Rio que são,no mínimo,deploráveis.E se por acaso o meu calendário escolar sofrer mudanças por causa dessa gripe A? O vestibular não está distante...
Tenho medo de ficar doente. Ok,não tenho. Tenho medo de lutar,me esforçar em vão.Medo de acabar morrendo de gripe depois de ter lutado o que estou lutando para ser aluna de uma instituição federal no ano que vem. Porque se o pior acontecer,não vai haver um médico piedoso a me dar a imortalidade.

Domingo, 5 de Julho de 2009

No caminho


Eu estava em um dos lugares mais belos e "perigosos" da minha cidade.A noite fria e estrelada era acariciada pela brisa do mar.Sabe aquele caminho todo branco onde ficam os apaixonados?Foi ali.Alguém especial estava comigo, alguém que há muito eu luto para não amar como Psique amou Eros.
As minhas mãos gélidas sentiam os músculos dele se contraírem sob a frieza do toque,nada interrompia nossas gargalhadas, assim como nada aconteceu.Até a chegada daquela figura encardida.Era mais um dos "hippies" que perambulam pelo centro da minha querida cidade natal.Ele tinha nas mãos alguns fios de cobre e um alicate.
-Posso fazer uma arte?
-Pode.
Habilmente ele começou a retorcer os fios,com a ajuda do alicate, em fração de segundos, o fio de cobre era um anel que trazia uma estrela.Ok, confesso que agora,enquanto escrevo,também vejo um botão de rosa no centro da estrela que está em meu anelar.
Mas nada disso importa.O que me deixa feliz foi ter ouvido oque o ilustre desconhecido me disse ao entregar o anel.A beleza e simplicidade de suas palavras, a sensibilidade com que ele parece enxergar o mundo. Um artista marginalizado em todos os sentidos.
Não vou citar um filósofo ou escritor que goste.Não vou contar como o "alguém especial" me desapontou. Mas vou evocar as palavras de alguém que não mais verei.
" Que a sua estrela brilhe sempre! Trazendo felicidade a você e sua família." Queria eu saber como fazer essa citação com a mesma intensidade com a qual ela foi proferida.

P.S.: Isso aconteceu dia 29 de junho. No Caminho Niemyer, Niterói,Rj.

Sábado, 27 de Junho de 2009

A weird.

Eu não consigo exibir com tanta facilidade assim esse sorriso contente.Eu não tenho essa multipolaridade permanente.Eu me estresso com esse perfeccionismo repetitivo, eu me irrito com as minhas expressões desgastadas. Eu me sinto extremamente só, como se meu id estivesse levando a melhor.
Essa angústia melancólica me parece tão estranha que eu acabo esbarrando nas minhas tendências auto-destrutivas.Nunca minha emoção esteve tão a flor da pele, as lágrimas prontas para brotar à qualquer ínfimo e estúpido sinal.
Essas emoções são tão estranhas que parecem fazer parte de uma orgia sentimental.Sou uma estranha para mim, sou alguém que tem andado isolada, alguém que repetitivamente tem se achado um pedaço de nada.
E eu acabo de confundir um cubo com um cilindro.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Born to be wild.

Eu me sinto completamente vazia.Neste momento estou solitária, irritada e perdida.Me sinto deixada de lado, sinto como se carregasse mais peso que um cavalo.
Está ficando difícil aguentar, meus limites estão sendo testados ao extremo.Quando eu percebo isso eu,tremo.
Eu odeio ouvir essas risadas, eu odeio olhar essas caras de babacas. Eu odeio essas brincadeirinhas infantis, pior, odeio que eles falem como se conhecessem a mim. Odeio,odeio isso! É como se eu estivesse presa em um sonho bizarro. Ultimamente vigília e sonhos têm se confundido.

Domingo, 14 de Junho de 2009

O som do coração.

Músculo oco,estriado,cardíaco. Bate em movimentos de sístole e diástole por pessoas,animais e até mesmo atividades.É do tamanho do punho fechado de seu dono,mas nele cabe o que quiser - em qualquer quantidade.
Ele pode estar apertado,ele guarda os amigos,pode estar calejado,pode ser sofrido.De pedra ou manteiga constituído.
Ele sabe de tudo,sempre sabe.Ele bate mais rápido ou fraco à sua própria vontade,palpita à imagem de uma doce lembrança. Quando desiste de bater leva consigo a temperança.

Domingo, 7 de Junho de 2009

Cecília.


Era uma vez uma menina de traços muito comuns chamada Cecília. A vida dela era inacreditavelmente monótona e atarefada. Seu casal de irmãos mais novos eram sempre priveligiados por seus pais superprotetores e controladores. Ela não aguentava a infantilidade deles, ela não aguentava ter seus momentos privados interrompidos por gritos e ruídos causados propositalmente por eles.
Cecília era perfeita em tudo que fazia.Seu quarto era arrumado, guarda-roupas, gavetas tudo na mais perfeita ordem. Suas notas? Não eram impecáveis, mas a qualificavam como uma excelente aluna. Sempre adotava linhas de raciocínio incríveis e inovadoras, tinha ideologias belas... E não colocava nada em prática. Cecília muitas vezes tinha uma espécie de bloqueio para se expressar, ela era cerceada por seus pais em tudo que fazia. Eles a obrigavam a escovar os dentes com água mineral e se ela não fizesse isso era um motivo mais que válido para uma grande briga e um castigo ainda maior.
Ela não fazia suas escolhas sozinhas,não porque não quisesse mas porque seus pais não deixavam. Ela estava cansada daquela família pseudoperfeita, que só mostrava essa "perfeição" a quem estava de fora. Cecília se sentia vazia e sozinha, muito sozinha.Cada vez mais se isolava, nem mesmo na companhia de seus amigos interagia. Tinha crises de pânico, cada vez mais frequentes e as lágrimas sempre prontas para brotar assim que soasse o mais estúpido sinal.
Resolveu que queria aprender a tocar violino, começou razoavelmente bem, como qualquer outra pessoa desprovida de ouvido musical começaria. Mas as aulas eram quase caras e seus pais resolveram que ela não as faria mais.Ela então, abandonou o violino e junto suas efêmeras alegrias.Foi aí que se apaixonou.Ele era lindo, perfeito, parecia saído de algum devaneio. E incrivelmente parecia gostar dela. Acontece, que existe vários tipos diferentes desse estranho ao qual chamamos de amor.Os amores que eles sentiam eram incompatíveis. Mais uma vez, Cecília foi rejeitada.
Seus pais enxergavam como frescura a sua tristeza. E ficavam muito irritados com as respostas que ela dava.Quando era questionada sobre a motivação da sua tristeza, respondia: - Édipo não sabia de nada e mesmo assim furou seus olhos.
Seu desespero aumentava, até que finalmente decidiu se livrar da culpa que não era sua.Cecília se matou e hoje, seu sofrimento continua no umbral.

Domingo, 31 de Maio de 2009

Purple.

Em cada um que passa eu vejo o mesmo rosto, a mesma expressão, a mesma altura. Cada par de olhos tem o mesmo brilho, cada sombracelha parece estar erguida sobre aquele supercílio.
Conciliações não funcionam assim, eu devia ter te ensinado melhor. Entretanto,quem sou eu para trabalhar em casos impossíveis? Cada barca que atravessa o mar leva junto desejo e vontade. Era coisa de momento.
Não sinto nada, você sente? Não, não responda. Eu juro que não quero ouvir. Serei insensível a sua dor ou a dor de qualquer outro. Não há sensibilidade em mim. Dos amores platônicos não restou um, os reais já não me tocam. Não há emoção que faça meu coração palpitar mais rápido, minha boca secar e o fluxo de sangue se concentrar em minhas bochechas.
Não há tempo, espaço ou paciência para devaneios infantis.
Insensibilidade? Amadurecimento.






P.S: Não tente entender o título, ele só vai fazer sentido para mim.